sábado, 12 de março de 2011

A OAB e seu Piso Salarial

Recentemente, a lista de discussão da Associação Brasileira de Ensino do Direito (ABEDi) repercutiu a instrução normativa da OAB determinando que as seccionais da Ordem estabeleçam um piso salarial a ser observado pelas IES como um critério na avaliação dos cursos jurídicos. 

Ao atender a "reivindicação dos advogados professores de direito", esta Instrução Normativa evidencia o que já foi objeto de discussão entre os professores da ABEDi: que os professores de carreira não encontrarão na OAB o lugar, por excelência, de apoio às suas reivindicações. Fica clara, também, a postura corporativa da OAB ao publicar esta instrução sem consultar outras entidades.

A despeito de ser motivada pela pressão dos advogados-professores, tal orientação da OAB vai ao encontro dos anseios de um tipo majoritário de professor: o "horista" que, geralmente, é advogado, juiz, promotor etc. Para este professor, o piso salarial está na linha de frente de suas preocupações. Mas, seguramente, não é o único e principal item no cesto de demandas dos professores que trabalham efetivamente em regime de tempo parcial e integral. Para estes, as condições físicas (infraestrutura) e psicológicas para o desenvolvimento de sua produção acadêmica tornam-se também fatores relevantes para o seu bem-estar profissional.

Mais uma vez, é preciso que eu insista, nada contra e tudo a favor da presença dos advogados, juízes etc., lecionando nos cursos jurídicos que, afinal, é um saber aplicado. Contudo, sou radicalmente contra àquela opinião que sustenta que um curso jurídico de qualidade pode ser feito somente contando com estes profissionais. Isto é impossível.

As IES não podem prescindir do professor que se dedica à produção de saber relevante destinado ao ensino, à pesquisa e à extensão; que atue ativamente no dia-a-dia da instituição ao qual está filiado a fim de fazê-la avançar em seus objetivos estratégicos e pedagógicos. 

O debate ocasionado pela referida instrução normativa da OAB apenas evidenciou que: 

1. a OAB não tem a legitimidade para falar em nome de todos os profissionais da educação superior em direito. (daí a importância de se fortalecer a ABEDi interagindo com a associação no seu "facebook", seguindo-a no "twitter" - @abedi_direito e, sobretudo, divulgando-a entre os amigos e participando de seus encontros e iniciativas).

2. em defesa do professor de direito, devemos exigir o efetivo cumprimento de um plano de carreira docente que estimule a progressão salarial por produção na pesquisa e na extensão;

3. devemos defender a ampliação dos professores com dedicação integral à educação superior e, para estes casos, a proibição da cumulação de outras carreiras jurídicas com a de professor. 

4. devemos defender padrões de qualidade de curso referenciados não somente no aluno (leia-se: ENADE) mas também na produção acadêmica (ensino, pesquisa e extensão) dos professores e dos discentes.

Rio de Janeiro, 12 de março de 2011.
Evandro Carvalho

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quais são os filtros de conteúdo que ensinamos na faculdade de direito?

Clay Shirky defende que o problema não é o excesso de informação mas uma falha nos sistema de filtros. Sua apresentação me lembrou da defesa que Domenico De Masi faz do ensino da estética como filtro de conteúdo. (veja a transcrição do Roda Viva).

Ao assistir a palestra também pensei nos fluxos de informação que moldam o nosso ensino. Quais filtros ensinamos aos nossos alunos? Muitas vezes, o professor se apresenta como 'o filtro' de informação, ao invés de ensinar o aluno a filtrar. Outras vezes, a falta de filtro do professor acarreta uma overdose de informações que mata a aprendizagem do aluno. Um estudo estrangeiro buscou distinguir a boa carga de trabalho da má carga. Gostaria de ler algum produzido sobre a nossa realidade.

Realmente, a carga de informação e as habilidades para lidar com os fluxos de informações são questões importantes para o ensino atual e ainda não fazem parte do planejamento do ensino jurídico.

domingo, 16 de agosto de 2009

A pesquisa está de volta

Não tenho porque duvidar das intenções do INEP em relação ao aumento da qualidade do ensino no Brasil. Hoje, recebi um e-mail de um professor avaliador do MEC. A grande boa notícia é que a avaliação tenderá a ser mais rigorosa e exigirá a pesquisa, não importando se se trata de avaliar uma faculdade ou um centro universitário. A pesquisa é uma dimensão imprescindível para o ensino - sobretudo na graduação. O processo da pesquisa dá a opotunidade de trabalhar várias habilidades fundamentais para qualquer profissional: o de ser metódico e objetivo não só no sentido de ser "claro", mas de saber escolher e delimitar um "objeto" para atuar sobre ele. Além disso, a exigência da pesquisa fortalecerá a posição dos profissionais da educação superior nas estruturas institucionais dedicadas ao ensino e à pesquisa.

terça-feira, 7 de julho de 2009


Tem sido frequente os casos de pais de alunos que cobram das IES uma postura pedagógica que não é a da "autonomia", mas a da "dependência". Estes pais gostariam que as IES assumissem o papel de protetoras dos interesses dos seus filhos, chegando a responsabilizar a própria IES pelo baixo desempenho acadêmico do aluno. A charge acima é bem ilustrativa dos tempos atuais.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Professores: os produtores de idéias

Inauguramos uma seção de vídeos sobre educação e ensino jurídico. O primeiro vídeo tem como título "Idea Makers: Research, writing and the Path to Law" e está diponível no site da Harvard Law School. Documenta as impressões dos professores de Harvard sobre "ser professor de direito". "No primeiro dia, eu estava assustado. Minha boca se movia mas meu cérebro dizia: você não sabe nada". Este drama expressa uma certa desconfiança da força do ofício. Mas que, ao final, resta superada: "ensino e professores multiplicam as ideias, mudam o mundo".